domingo, 6 de outubro de 2013

Amanhacer

Hoje ser, sem esperar amanhã-ser.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Desculpas a mim mesmo

Porra e tu acha fácil deitar nessa merda de ponto de ônibus com o sol na minha cara? Tu acha que eu sou um atorizinho de merda fazendo monólogo pra peça aí? Sê pensa que eu bebo porque eu não tenho nada pra fazer idiota: eu tenho coisa pra caralho pra fazer nessa bosta de mundo. Eu tenho muito mais coisa pra fazer do que você que se acha importante voltando pra casa num buzão cheio de gente bosta que queria ter um carro com ar-condicionado só pra ligar no talo pra refrigerar a porra da cabeça que ficou queimando depois que o patrão cuspiu palavras no ouvido. Eu tenho muitas desculpas pra pedir. A começar por mim mesmo: me perdoe por ter desistido de tudo o que eu amava.

sábado, 6 de abril de 2013

Queria árvores

Resolveu fazer a sua parte, como diziam os individualistas pombos. Não adianta ficar reclamando do desmatamento, desmantenimento, era preciso replantar sua própria muda, e mudo ficar se outros não fizessem o mesmíssimo, quem somos nós contra a massa (asfáltica e humana)? Pegou algumas mudas, mas ao invés de distribui-las pelos campos, resolveu ir além, tentou resolver escondendo as linhas de alta intensão. Queria árvores, resolveu se enganar com o poste.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

De casa e rua

Foi quando decidiu não mais passear entre portas, desparafuzilou a sua: quando não mais podemos nos esconder é que nos despimos. Assim, morou, dormiu e entreviveu, de casa e rua.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Insensatifaça-se

Insensatisfaça-se! Enrose arames farpados.

Corrente contínua

Por mais que me cubra de ferrugem, que sicatrizes se multipliquem, continuo corrente contínua.
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Um país de exilados e asilados

A cultura brasileira educacional é a junção de exilados e asilados, sempre aprisionados por si mesmos em muros e grades em janelas. Adolescentes e crianças aprendem bem cedo o valor do sinal, do apito, da contagem do tempo industrial, da desiniciativa quando se percebem velhos-jovens vivendo dentro de um asilo, sendo tratados como doentes por seus professores-enfermeiros, que lhes trocam a frauda, exilados de um mundo em que o pensamento é importante. Jovens e adultos continuam aprendendo nas universidades o valor da cópia, da produção em larga escala de trabalhos de internet (e para esses, Saramago, a internet salva o mundo), taylorando e fordizando quando se percebem velhos-adultos vivendo dentro de um asilo, onde recebem tratamento de camundongos competidores, dispostos a serem melhores que outros camundongos em suas esteiras de corrida infinitas, exilados políticos da luta cotidiana por melhores condições de vida. Escola e universidade são dois mundo separados, sem ponte que os alcancem, porque foram fundados para fins diferentes, nenhuma com intenção de educar-criar-perguntar: a escola para exilar e asilar professores, incompetentes de amar o próximo e a alpinista oportuno, aprendiz de burocrata; exilar e asilar, filhos de pais medíocres, incompetentes de amar o seus próprios filhos, porque deles querem distância; a universidade para exilar e asilar professores esquizofrênicos, professores não-professores, professores-pesquisadores, como se a pesquisa não fosse parte do ser humano, que desde seu nascimento é colocado diante de problemas que busca resolver; para exilar e asilar alunos sempre do futuro, graduandos, mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos, que nunca acabam de subir escadas imaginárias para satisfazer o desamor de seus pais, que os colocaram em asilos escolares, exilados do mundo.