terça-feira, 3 de maio de 2016

A cruz que assino

Falar em poesia é uma heresia, em tempo presente. Assino com uma cruz, agora. Desaprendi a ler, as palavras nunca fizeram tão pouco sentido. Existe uma vantagem: na new republic, a inquisição não me incomodará. Serei santo, certifico, certo fico.

domingo, 1 de maio de 2016

Desusotopia

Vivo uma desusotopia. Simples: não mais sonho. Utopia, onde moras? Thomas, tudo o que escrevo agora é ponto final. Sou uma ilha, percevejo? Não, nem percebo nem vejo. Perseguido. Agora, Thomas, aponte. A ponte sou eu. Passe-me nobres depurados. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Não são pássaros os que não cantam

Absurdo, João Jorge da Silva. Quanta préimpotência em negar a tevê três vezes. É nosso espelho d'alma. Não acredite nesses pardais que sujam a imagem de nosso vivo povo brasileiro. João Jorge da Silva, os pardais não são pássaros, não desconfia que de seu bico não nasça nota patriótima? Devemos, João Jorge da Silva, devemos caçá-los, esses escariotes, assá-los, esses montanos, içá-los, esses lesamajestosos, em praça pública, para temerem cagar em teleavisadores.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Teimosia sem-ter-nada

Já não sei escrever: teimosia compassiva, eu e a casa de João Jorge da Silva. Sem ter nada ou centenária?

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Segredos de liquidificador

Dizia-se mais que pedreiro, hospedreiro. Já porque eram as pedras que lhe criavam o muro, berlindo. Carcereiro de si, foi fechando as janelas do mundo, como só pudesse agora falar por incomparações. Encorporações, em corpo e corações, desliquidificava-se desse liquidificador, planeta d'água-parada. Quem quisesse nele se hospedar, necessitava de mais que lhamar: necessitava lhenxergar atrás do muro.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O fio da meia-água

Fui poeta, há dois meses. Fui. Perdi-me. Esta mesma prosa, balanga-beiço, era rimada. Era. Perdeu-se. Parei de sofrer: doutor me contraindique se puder, mas por que não existe índio esquizofrênico? Não faz sentido. Vivemos procurando o fio da meia-água, casebre sem luz. E o senhor, já remediado esteve, assim sem remédio? Faz-de-bobo-não. Eis um feirante de baixo-falante. Salvo o engano, pois eu achei um emprego: desconstrutor. Não-me venha. Sabes muitos bens que alguém precisa fazer o jogo sujo. Restou-me esse, desconstruir, arruinar. Desamarres esta cara de fome, que pra mim é feio. O senhor mais-do-ninguém sabes, a poesia e a medicina não salva ninguém. Nós dois somos espelho-meu, duas faces da mesma moela. Marcamos para daqui a dois meses?

sábado, 11 de julho de 2015

Um perdiesgoto

Foram tantas as palavras desperdiçadas, despedaçadas, desesperançadas, que o céu de sua boca nublou e precipitou até chegar em mim. Passei a mão pelo pequeno pingo d'água ácido e disse: um perdiesgoto.