quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O que seria liberdade?

Pensou nos escravos do 13 de maio, pensou em si: o que seria a liberdade? Fechou o caderno depois de autorizado a sair.

Ciúmes de alcóol

O álcool mata de ciúmes, essa conclusão cheguei. Não o faça de amante, de cama quente, pois ao parar de beber, como a cobra que sibila e tateia o ar com sua língua, deixará a consumir-te.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Até Deus queria esquecer-se daquele lugar

Dona Nininha tinha mais a reclamar da falência da Igreja do que, propriamente, da falência múltipla dos órgãos que acometeu seu falecido marido. Como todos os mortos que nunca deixam de estar presentes, a Igreja estava lá para quem passasse sinal da cruz fizesse, não em respeito, mas como assombração. Repetia-se, como ainda agora, que aquele terreno não era fértil nem para tubérculos, esta última palavra Dona Nininha não pronunciou, somente teria dito "nem pra batata essa terra serve", mas como estamos lidando com leitores dos mais graduados que se tem notícia, apesar de em nenhum país do mundo ouvir-se falar em universidade brasileira que preste mais do que poste sem luz, vale a substituição das suas palavras, uma vez que causaria espanto dos mais engravatados aos mais socialistas-leninistas que estivessem a tatear conversa com ela, os erros de português poderiam formar uma outra língua, que obviamente não reconhecida por tão distintos senhores das letras. De volta à narrativa, se é que assim a podemos chamar, Dona Nininha sabia mais do que ninguém, nesse caso saber mais do que ninguém é o mesmo que saber o que todos já sabiam, que aquele terreno, aquele pequeno terrário, havia sido um bar, coisa mundana, este adjetivo peculiarmente cravado para hierarquizar pessoas e lugares não frequentados pelos não-mundanos de sua religião. Sua experiência na sétima arte de berita, dizia que espíritos de outros mundos, mundanos ou não-mundanos, visitavam homens que naquele bar bebericavam, transmutando-os em boçais, dizendo línguas de não se sabe onde, atacando mulheres e filhos. Sabia desde por sua bisavó, que não era bom sinal casar com sinuqueiro. Mas resignava-se aos tapas que lhe estalavam o rosto, quando criança, adolescente e esposa. O som das chibatas é que amedrontavam escravos, afirmava sua avó: nunca mais esqueceu do som de uma tapada. Não foram poucos moisés que tentaram separar aquele mar vermelho, vermelho sangue que havia queimado naquelas terras, ou daquelas terras nascidas. Por fim, Doninha, apelido que recebera pela junção de duas palavras, estava certa, até Deus queria esquecer-se daquele lugar. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

De meus antes-e-entes-passados


Desnecessário arrolar todo o processo pelo qual hoje encontramo-nos, especialistas, alguns autointitulados outros contra-indicados, já não descansam mais suas mandíbulas de explicá-lo, seja empiricamente, seja teoricamente, como o sistema educativo, pós-interativo, dos anos áureos e auríferos da internet e livros em tábuas (famosos pelo anglicanismo estrangeirista "tablets"), aos poucos ou rapidamente, dependendo da linha proposta pelo intelectual da vez, foi morfando, almofadando, aprisionando aqueles conhecidos pela alcunha de estudantes, ou num português mais gerencial, educandos. Esta dúvida, não opõe ninguém, desde os apósgraduados aos nemgraduados: as bastilhas é que engravidaram e abortaram, e não pariram, tudo o que nos acomete. De fato, não precisaria de tantas linhas para dizer apenas que mingou-se alunos dispostos ao autoexílio escolar, ou como se zombava, detentos de regime semi-aberto, entretanto, ao inverso, anoitecia-se em casa e apresava-se ao dia. Mingou-se até secar-se, esse sim rapidamente feito poça d'água em terra de sertanejo, até que se achou uma nova serventia para os presídios-escolas, aterro sanitário ou lixão nas más e boas línguas. Lixo, esse sim era bom cárcere-privado, ou público, ou ainda privada. Não me comprometo mais em deslindar o destino dos chamados educandos, aqui já vai mais do que permite um usuário dependente de rede social ler. Como vestígio ou prova, se bem que a provar estou isento, só sobrou e soçobrou esta foto de meus antes-e-entes-passados. 

domingo, 6 de outubro de 2013

Amanhacer

Hoje ser, sem esperar amanhã-ser.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Desculpas a mim mesmo

Porra e tu acha fácil deitar nessa merda de ponto de ônibus com o sol na minha cara? Tu acha que eu sou um atorizinho de merda fazendo monólogo pra peça aí? Sê pensa que eu bebo porque eu não tenho nada pra fazer idiota: eu tenho coisa pra caralho pra fazer nessa bosta de mundo. Eu tenho muito mais coisa pra fazer do que você que se acha importante voltando pra casa num buzão cheio de gente bosta que queria ter um carro com ar-condicionado só pra ligar no talo pra refrigerar a porra da cabeça que ficou queimando depois que o patrão cuspiu palavras no ouvido. Eu tenho muitas desculpas pra pedir. A começar por mim mesmo: me perdoe por ter desistido de tudo o que eu amava.

sábado, 6 de abril de 2013

Queria árvores

Resolveu fazer a sua parte, como diziam os individualistas pombos. Não adianta ficar reclamando do desmatamento, desmantenimento, era preciso replantar sua própria muda, e mudo ficar se outros não fizessem o mesmíssimo, quem somos nós contra a massa (asfáltica e humana)? Pegou algumas mudas, mas ao invés de distribui-las pelos campos, resolveu ir além, tentou resolver escondendo as linhas de alta intensão. Queria árvores, resolveu se enganar com o poste.