Pediu para desligar: não queria mais escutar os quatro cantos das quatro paredes em pranto. Classeremediou-se.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Em busca de um quintal para capinar
Entregou-se à espera de chuvisco, algum sinal, um chuvavisar das núvens, pelo menos, que dissesse se estavam carregadas. Fazia tanta seca que o feirante Pedro Bom queria ver se da enxada poderia fazer enxágua. Dizia a mulher, com esse tempo disléxico, escrevendo errado por linhas mortas, os dias se parecem homens: segunda-feira entorna-se apenas segunda, sem os traços de ligação. Vivelinda de Abraços apenas escutava, não o marido, mas as muitas vozes que em tempo de pobreza sapecam que nem varejeira: vai procurar um quintal para capinar. Em casa, conjurou-se ao marido, e Pedro Bom, mais crente que evangélico, pôs-se a procurar capim como quem caça com gato. O trabalho enobrece o homem, disse Seu Romualdo Grilo, fazendeiro de arroubas e arroubos a perder divisa. Grilo, apelido carinhoso devido ao fermento utilizado em cada medição de suas propriedades, quando o metro valia o dobro, ajudou o pobre Pedro Bom. Deu-lhe, como bom fazedeiro, gente que faz, a vara, esperando a pesca: arrumou capinzal. Comentava nas arremediações, governo nenhum devia embolsar zeninguem, senão bicho-preguiça sobe nas árvores e quero-ver tirar. Lembravejava em silêncio, o Grilo, ou cantava enquanto era Bom que trabalhava?
O novíssimo testamento
Era tanta mensagem no facebook, que Deus, no seu novíssimo testamento, cancelou sua conta, mas sem querer também desmarcou-se dos muros das cidades. Pobres seguidores. O que agora compartilhar?
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Quem sabe a vida não tinha se humilde-sido um rio
Segundo as ciências lógicas, como a astrologia, nascida em Volta Redonda, não poderia ela nunca perfurar o sísifo círculo vicioso do playground, céu-e-chão. Quem sabe, se tivesse se concebido carioca, pelo menos janeiro, a vida não teria se humilde-sido um rio, ou um moinho. Entretanto, nesse caminho não há pedra, discordava do poeta.
sábado, 13 de setembro de 2014
Tunico Caixa-Rápido e a escada
Tunico Caixa-Rápido não conseguiu sair das sina e cinzas de sua desapropriada vida. Sua mãe, meretriz, não de vida fácil, mas professora de meta e diretriz, sempre cumpridora das vontades alheias, queria filho engenhoso e contador de salários muito remuneráveis. Diziam-lhe as más ínguas da escola, o universo, Izilda, é matemágico. Praga de mãe não só pega como apega-se, e Tunico só pode ver o que era algébrico. Atleta matematicolímpico, consideravam-no a encarnação de Cronos, o deus da Antiguidade, e Cronológico, o deus da Pós-Modernidade. Era uma máquina, por isso caixa-rápido. À medida em que foi adulterando, esperava só o raiar do mês para contar-se em meio ao dinheiro. Entretantas crises, foi demitido tanto quanto admitido nesse mercado de trabalho, conhecido popularmente como ciranda-cirandinha. Até que cansou, empreendedor como só, decidido foi buscar sua ascensão social. E nesse alpinismo econômico, foi degrau por degrau até chegar ao topo, sem saber, acoitado, que a escada era cela solitária, desprendida.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Fast
Aprendeu inglês para dizer a mesma coisa. Bastou-se uma aula: hello. Bom-dia seria demasia, já que no fast-food, aponta-se o dedo.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Para salgar palavras
Chorava enquanto escrevia, dizia que era para salgar palavras, quem sabe com mais tempo sobre-papel, alguém acabaria por ler sua (d)existência, assim por extenso. Decidiu por almar o amor aos poucos, para sobrar nos dias ruins, quase todos, fins de semanas, inúteis para ela e os bancos. Viajar sem companhia, sabia, era como andorinha que se perde e nem mais se lembra passarinho, tão-leve o vento. Enjaulada pela janela, fez-se sábia, sabedora de todas as menos e maiszelas desse mundo.
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