Dizia-se mais que pedreiro, hospedreiro. Já porque eram as pedras que lhe criavam o muro, berlindo. Carcereiro de si, foi fechando as janelas do mundo, como só pudesse agora falar por incomparações. Encorporações, em corpo e corações, desliquidificava-se desse liquidificador, planeta d'água-parada. Quem quisesse nele se hospedar, necessitava de mais que lhamar: necessitava lhenxergar atrás do muro.
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
O fio da meia-água
Fui poeta, há dois meses. Fui. Perdi-me. Esta mesma prosa, balanga-beiço, era rimada. Era. Perdeu-se. Parei de sofrer: doutor me contraindique se puder, mas por que não existe índio esquizofrênico? Não faz sentido. Vivemos procurando o fio da meia-água, casebre sem luz. E o senhor, já remediado esteve, assim sem remédio? Faz-de-bobo-não. Eis um feirante de baixo-falante. Salvo o engano, pois eu achei um emprego: desconstrutor. Não-me venha. Sabes muitos bens que alguém precisa fazer o jogo sujo. Restou-me esse, desconstruir, arruinar. Desamarres esta cara de fome, que pra mim é feio. O senhor mais-do-ninguém sabes, a poesia e a medicina não salva ninguém. Nós dois somos espelho-meu, duas faces da mesma moela. Marcamos para daqui a dois meses?
sábado, 11 de julho de 2015
Um perdiesgoto
Foram tantas as palavras desperdiçadas, despedaçadas, desesperançadas, que o céu de sua boca nublou e precipitou até chegar em mim. Passei a mão pelo pequeno pingo d'água ácido e disse: um perdiesgoto.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Entre paredes
Pediu para desligar: não queria mais escutar os quatro cantos das quatro paredes em pranto. Classeremediou-se.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Em busca de um quintal para capinar
Entregou-se à espera de chuvisco, algum sinal, um chuvavisar das núvens, pelo menos, que dissesse se estavam carregadas. Fazia tanta seca que o feirante Pedro Bom queria ver se da enxada poderia fazer enxágua. Dizia a mulher, com esse tempo disléxico, escrevendo errado por linhas mortas, os dias se parecem homens: segunda-feira entorna-se apenas segunda, sem os traços de ligação. Vivelinda de Abraços apenas escutava, não o marido, mas as muitas vozes que em tempo de pobreza sapecam que nem varejeira: vai procurar um quintal para capinar. Em casa, conjurou-se ao marido, e Pedro Bom, mais crente que evangélico, pôs-se a procurar capim como quem caça com gato. O trabalho enobrece o homem, disse Seu Romualdo Grilo, fazendeiro de arroubas e arroubos a perder divisa. Grilo, apelido carinhoso devido ao fermento utilizado em cada medição de suas propriedades, quando o metro valia o dobro, ajudou o pobre Pedro Bom. Deu-lhe, como bom fazedeiro, gente que faz, a vara, esperando a pesca: arrumou capinzal. Comentava nas arremediações, governo nenhum devia embolsar zeninguem, senão bicho-preguiça sobe nas árvores e quero-ver tirar. Lembravejava em silêncio, o Grilo, ou cantava enquanto era Bom que trabalhava?
O novíssimo testamento
Era tanta mensagem no facebook, que Deus, no seu novíssimo testamento, cancelou sua conta, mas sem querer também desmarcou-se dos muros das cidades. Pobres seguidores. O que agora compartilhar?
Assinar:
Postagens (Atom)



.jpg)
