Segundo as ciências lógicas, como a astrologia, nascida em Volta Redonda, não poderia ela nunca perfurar o sísifo círculo vicioso do playground, céu-e-chão. Quem sabe, se tivesse se concebido carioca, pelo menos janeiro, a vida não teria se humilde-sido um rio, ou um moinho. Entretanto, nesse caminho não há pedra, discordava do poeta.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
sábado, 13 de setembro de 2014
Tunico Caixa-Rápido e a escada
Tunico Caixa-Rápido não conseguiu sair das sina e cinzas de sua desapropriada vida. Sua mãe, meretriz, não de vida fácil, mas professora de meta e diretriz, sempre cumpridora das vontades alheias, queria filho engenhoso e contador de salários muito remuneráveis. Diziam-lhe as más ínguas da escola, o universo, Izilda, é matemágico. Praga de mãe não só pega como apega-se, e Tunico só pode ver o que era algébrico. Atleta matematicolímpico, consideravam-no a encarnação de Cronos, o deus da Antiguidade, e Cronológico, o deus da Pós-Modernidade. Era uma máquina, por isso caixa-rápido. À medida em que foi adulterando, esperava só o raiar do mês para contar-se em meio ao dinheiro. Entretantas crises, foi demitido tanto quanto admitido nesse mercado de trabalho, conhecido popularmente como ciranda-cirandinha. Até que cansou, empreendedor como só, decidido foi buscar sua ascensão social. E nesse alpinismo econômico, foi degrau por degrau até chegar ao topo, sem saber, acoitado, que a escada era cela solitária, desprendida.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Fast
Aprendeu inglês para dizer a mesma coisa. Bastou-se uma aula: hello. Bom-dia seria demasia, já que no fast-food, aponta-se o dedo.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Para salgar palavras
Chorava enquanto escrevia, dizia que era para salgar palavras, quem sabe com mais tempo sobre-papel, alguém acabaria por ler sua (d)existência, assim por extenso. Decidiu por almar o amor aos poucos, para sobrar nos dias ruins, quase todos, fins de semanas, inúteis para ela e os bancos. Viajar sem companhia, sabia, era como andorinha que se perde e nem mais se lembra passarinho, tão-leve o vento. Enjaulada pela janela, fez-se sábia, sabedora de todas as menos e maiszelas desse mundo.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Desaparecida
Só quero saber uma coisa. Quando me perguntou meu nome lhe disse, sinceramente, Aparecida. Agora que me deixou viúva de mim, pergunto-me, posso voltar a chamar-me desaparecida?
sábado, 5 de julho de 2014
Incerto dia
Parei o carro em frente à arvore, incerto dia. Ela estava no caminho, ou eu? Desdentão confundo-me, profundo: foi a árvore que se acinzamentou, concretamente cansada de pregar no deserto, ou pelo contrário e vice-versa, o asfalto que se verdejou, apiedando-se das vidas que sufocou?
A menina de lágrimas infinitas
Ela pensava apenas astronavegar: as estrelas ninguém consegue tocar, estão protegidas no escuro do céu. Poucos sabiam como ela que azul não é a cor do céu, ele é negro e infinito, como suas lágrimas que se mostram invisíveis, porque também eram infinitas. Foi assim que construiu seu foguete. Se não a levou ao céu, pelo menos ali, fez-se Deus, criando seu universo sem descanso, e as estrelas surgiam dos pequeniños buracos nascidos do envelhecer do metal. Sentenciou-se a única lei: não haveria mais dor, porque não cairia na tentação da serpente que enganou outros tantos deuses. O universo seria só dela, infinito, como foram suas lágrimas.
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